Vacina contra HPV
Por que vacinar?
Atualmente muitas pessoas estão nadando contra a maré e retrocedendo ao se posicionarem contra vacinas que se mostraram seguras e que foram responsáveis, se não pela erradicação de algumas doenças, pelo menos controle considerável das mesmas. Com isso, muitas doenças como sarampo estão voltando ao nosso território. É claro que sabemos que existem outras questões como o acolhimento de pessoas vindas de países vizinhos que muitas vezes não estão imunizadas e ao entrar em contato com a população brasileira, não vacinada, acaba transmitindo para esta.
Da mesma forma como ocorreu com outras vacinas, a vacina contra o HPV também sofre preconceito e especulações com relação a sua segurança. Vale ressaltar que todos os casos tidos como graves e atribuídos a vacina contra o HPV, quando avaliados minuciosamente não confirmaram a vacinação como causa dos mesmos. As vacinas têm bom perfil de segurança e os efeitos mínimos que acontece em cerca de 10 a 20% dos casos em geral são dor, edema e vermelhidão no local da aplicação.
As vacinas contra HPV licenciadas são preventivas e feitas por engenharia genética a partir de partículas semelhantes a uma parte do vírus – o capsídeo viral (VLP – virus like particles) portanto, desprovidas de material genético viral, não causando doença. O efeito da vacinação baseia-se na produção de anticorpos contra o capsídeo viral após inoculação de VLP. A presença desses anticorpos específicos e neutralizantes no liquido intercelular tem a capacidade de inativar o HPV quando em contato com ele. Assim, há o bloqueio da infecção pelo HPV. Por outro lado, uma vez que o HPV adentra a célula(infecção), o mecanismo de proteção da vacina através dos anticorpos não ocorre. Por isso, a eficácia máxima da vacina ocorre quando ela é aplicada antes do risco de infecção, ou seja, antes do início da vida sexual.
Por outro lado, os estudos mostraram também proteção nas mulheres que já iniciaram vida sexual e naquelas tratadas por lesões de HPV, uma vez que a infecção natural não previne contra outras contaminações e infecções pelo vírus, a proteção adicional vacinal acaba sendo um ganho importante, visto que pode reduzir a recorrência da doença.
Eficácia
As vacinas contra o HPV estimulam o sistema imune e são capazes de proteger o indivíduo contra neoplasia intraepielial cervical de alto grau ou pior(NIC2+) e também neoplasias de vagina, vulva, anus induzidas pelos tipos de HPV contemplados na vacina, uma vez que produzem até 11 vezes mais anticorpos do que a infecção natural e com persitência por mais de 10 anos.
Outro ponto interessante é que mesmo as vacinas sendo feitas com tipos específicos de vírus (bivalente com os subtipos 16 e 18 e a quadrivalente com os subtipos 6 e 11 além dos anteriores) há proteção ampliada para outros tipos com os quais a vacina não foi produzida. No entanto essa proteção é um benefício adicional e talvez não ocorra em todos os indivíduos e sua duração é desconhecida.
Duração
Sua duração com relação a proteção oferecida ainda é indeterminada, mas acredita-se por cerca de 20 anos, com estudos mostrando sua eficácia por mais de dez anos e sem falha vacinal registrada. Até o momento não é necessário reforço, mas o tempo indicará sua necessidade.
Contraindicações
• Pessoas com alergia aos componentes da vacina ou que apresentaram sintomas alérgicos graves após aplicação de uma dose.
• Gestante, até que estudos possam definir o contrário. Caso engravide durante o esquema de vacinação, esse deverá ser completado após a gestação.
Por fim, é importante ressaltar que vacinação contra o HPV não substitui a necessidade uso de preservativos para prevenção de outros tipos de HPV e de outras doenças sexualmente transmissíveis. Além disso, vacina e rastreamento do câncer do colo do útero são métodos complementares na prevenção de canceres genitais; a vacina evita a infecção pelo vírus e o rastreamento detecta precocemente lesões precursoras.
Por Orlando Freitas
06 de Maio de 2019
