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Disfunção sexual

A saúde da mulher é algo muito abrangente e vai desde sua saúde física, mental, relações interpessoais e a saúde sexual também se inclui nesse meio. Ao contrário do que se possa imaginar, a saúde sexual não envolve apenas doenças sexualmente transmissíveis e/ou relacionadas diretamente à genitália, mas também às disfunções sexuais, seja por baixa libido, dor e desconforto na relação e ausência de prazer.

A sexualidade é formada desde a mais tenra idade e continua por toda a infância até a adolescência e vai sendo construída ao longo de toda a vida, e compreende a afetividade e a busca por interações emocionais e físicas.

São inegáveis os avanços atuais da mulher ganhando espaço na sociedade, tendo direito a voto, conquistando lugar no mercado de trabalho; mas quando nos referimos a sexo, muitos tabus ainda permeiam o assunto independente do gênero; mas principalmente para as mulheres que, em geral tem uma educação familiar e religiosa mais restritiva tendo o sexo como algo impuro e sujo.

Sem dúvida alguma, falar de si e de suas dificuldades é algo pessoal e muitas vezes difícil, mas entender que não se está só, que suas limitações ocorrem com outras pessoas e que o profissional tem a função de auxiliar e não de julgar, contribui muito para construção de uma relação médico paciente sólida; o que é imprescindível para que o diagnóstico seja feito de forma correta levando a um tratamento eficaz.

O diagnóstico da disfunção sexual, por si só não determina o planejamento terapêutico, sendo necessário identificar o fator causal; e para isso é necessário ter conhecimento básico da anatomia e funcionamento da resposta sexual.

Com relação a resposta sexual, ela divide-se basicamente em três fases: 

1-Desejo: que é a sensação de vontade de ter relações sexuais e que gera bem-estar físico e mental.  O desejo sexual torna a mulher receptiva para o sexo seja por meio de uma relação sexual ou masturbação. Pode acontecer em três situações: 

a)Espontaneamente, pelo instinto sexual natural de todo ser,

b)Quando recebe estímulo do(a) parceiro(a),

c)Por meio de fantasias sexuais;

2-Excitação sexual: sensação de prazer na vulva e vagina. Ocorre um aumento do aporte sanguíneo para essa região causando um intumescimento da genitália que fica úmida pela lubrificação vaginal;

3-Orgasmo: múltiplas contrações prazerosas na vagina, sendo a primeira mais intensa e as demais vão ficando mais fracas até cessarem, levando a um relaxamento geral. Pode ocorrer pelo movimento do pênis dentro da vagina, por estímulo do clitóris ou por ambos.

Algumas substâncias estão relacionadas com a inibição da resposta sexual como a serotonina, endo-canabinóides e opiáceos; enquanto a excitação sexual envolve a oxitocina, a norepinefrina, a dopamina e o sistema de melanocortina. No entanto, muitas das disfunções sexuais relacionadas ao baixo desejo sexual deve-se a um relacionamento conjugal não satisfatório, a crises conjugais; e uma vez que esse fator esteja envolvido, outros tratamentos propostos serão quase sempre ineficazes.

São vários os tratamentos usados no manejo do desejo sexual hipoativo incluindo:

•terapias hormonais com estrogênio e androgênio (utilizadas principalmente em pacientes na menopausa); 

•terapias não hormonais com uso de medicamentos com ação no sistema nervoso central que agem na ativação e/ou desativação de neurotransmissores cerebrais que afetam a resposta sexual;

•abordagem psíquica: 

oterapia sexual: projetada para ajudar o casal com problemas sexuais relacionais, monotonia conjugal, dificuldade de comunicação e falta de intimidade do casal. Pode ter como o foco o casal ou o autoconhecimento do corpo por parte da mulher. Componente central é o foco sensorial com exercícios de toque em todo o corpo pela mulher ou mútuo pelo casal a fim de diminuir a ansiedade e melhorar a comunicação sexual e intimidade do casal de forma gradual.

oterapia cognitivo-comportamental: tem foco na identificação e modificação do comportamento e suas cognições e crenças distorcidas. Medidas educativas podem ajudar a mulher e o casal a entender como o estímulo erótico adequado e a estimulação física contribuem para o desejo e excitação sexual.

otécnica de atenção plena: concentração em aspectos emocionais de um estímulo sexual, afastar distração e pensamentos não eróticos ou de baixa autoestima, desaprovação do parceiro, preocupações com gravidez, ou doenças sexualmente transmissíveis durante o sexo.

DISFUNÇÃO DA EXCITAÇÃO SEXUAL

A excitação mental ou subjetiva (sensação de prazer) e a genital ou objetiva (lubrificação) podem estar relacionadas ou não. A excitação sexual subjetiva refere-se à percepção da mulher sobre suas respostas genitais, enquanto a excitação genital refere-se à ativação fisiológica, como a lubrificação vaginal e vaso congestão. Podem estar combinadas ou não e definir qual tipo está bloqueada e os fatores que podem ter levado a mulher a disfunção da excitação sexual são cruciais para desenvolver um plano terapêutico. O tratamento, em linhas gerais, consiste da técnica de terapia cognitivo-comportamental, meditação, tratamento medicamentoso (incluindo a terapia hormonal) e/ou dispositivos vaginais. 

DISFUNÇÃO DO ORGASMO

O tratamento da disfunção do orgasmo inicia-se pelo esclarecimento da paciente, e se possível do casal, sobre o que é o orgasmo e a importância do estímulo do clitóris. É importante ressaltar que o orgasmo pode ser atingido com a movimentação do pênis na vagina, com o estímulo do clitóris ou com ambos e que todas as formas são normais; bem como que a relação sexual pode ser satisfatória sem que aconteça o orgasmo. 

É necessário excluir causas orgânicas como doenças vasculares, neuropáticas, reumatológicas e ainda causas medicamentosas como uso de antidepressivos ou abuso de drogas. Uma vez afastadas essas causas o tratamento baseia-se em terapia sexual com masturbação e autoconhecimento do corpo e de das áreas prazerosas e o a entrega e participação ativa da relação sexual.

DISFUNÇÃO DE DOR

No tocante a disfunção sexual por dor, ela inclui a dispareunia e o vaginismo. 

A dispareunia é a dor recorrente ou persistente na tentativa ou durante a penetração, mas sem espasmo da musculatura da vagina. Pode ser a penetração, ao pênis entrar na vagina ou de profundidade, quando o pênis bate no fundo; e tem como causa infecções, doenças sexualmente transmissíveis, atrofia vaginal, endometriose. Dessa forma, é fundamental abordar a causa subjacente e realizar o tratamento de acordo com a etiologia. No caso de desconhecimento da origem da dispareunia ou quando associada a interação de fatores fisiológicos, emocionais e relacionais, o tratamento impõe uma abordagem multidisciplinar, podendo incluir ginecologista, fisioterapeuta, psiquiatra e psicólogo. 

Uma particularidade da dispareunia é a vulvodínea, caracterizada por dor crônica em queimação ou desconforto envolvendo a vulva por mais de 3 meses, que pode ser espontânea ou causada pelo toque direto, pela relação sexual ou mesmo ao lavar. A etiologia é incerta, podendo derivar de infecções, candidíase, irritantes químicos, hipoestrogenismo e tem um forte componente psíquico. Trata-se de dor neuropática decorrente da ativação nociceptiva de vias periféricas que pode resultar na sensibilização central. Essa sensibilização prolonga os sintomas após a lesão tecidual original. Tratamento multidisciplinar com ginecologista, psiquiatra, psicólogo e/ou fisioterapeuta Os medicamentos mais usados são gel anestésico tópico e antidepressivo tricíclico.

No vaginismo há um círculo vicioso que deve ser interrompido: o medo da penetração gera tensão levando a aumento da contração involuntária da musculatura externa da vagina (às vezes de toda a pelve) na tentativa da penetração, ocasionando dor. O tratamento é baseado em técnica de dessensibilização sistemática e fisioterapia de assoalho pélvico além de psicoterapia.

Por Dr. Orlando Freitas

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